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HQ -- Questão de nomenclatura

Por Sérgio Codespoti

No Brasil a Nona Arte é conhecida como histórias em quadrinhos, HQs, quadrinhos e até mesmo gibi (nome de um antigo personagem infanto-juvenil, que posteriormente ficou associado tamanho das revistas - o chamado formatinho); na Argentina se chama historieta; na França, bande desinée; em Portugal, banda desenhada; na Espanha, tebeos ou cómic; na Itália, fumetti, e nos Estados Unidos (e a maior parte dos países de língua inglesa, como Canadá, Austrália e Reino Unido), Comics.

Mas a palavra comics se refere ao conteúdo humorístico (nos primórdios dos quadrinhos) da obra mais do que sua forma, diferente de termos como histórias em quadrinhos, banda desenhada, bande desinée (entre outros nomes), cuja nomenclatura se refere à forma da arte. E este é um dos problemas que andam sendo debatidos no mundo anglófilo dos quadrinhos.

Podemos dizer que existem essencialmente três facções.

A primeira chama tudo de comics, sem se importar com qualquer outra distinção. Não interessa se a história é infantil ou adulta, de humor ou de super-herói. É comics, e pronto.

O segundo grupo adotou o termo, que atualmente é bastante polêmico, Graphic Novel (que pode ser traduzida literalmente como novela gráfica), para designar um material adulto, com pouca ou nenhuma relação com quadrinhos infanto-juvenis (como os publicados pela Disney, por exemplo).

Não vou entrar na discussão de quem criou a graphic novel, ou quem cunhou o termo. Só nos Estados unidos uns seis artistas diferentes, incluindo o Will Eisner, clamam esta paternidade.

E voltamos à armadilha da nomenclatura.

Atualmente qualquer coisa publicada nos Estados Unidos com mais de 32 páginas (e encadernada com lombada quadrada e capa cartonada), pode ser uma graphic novel. Uma minissérie banal de um super-herói qualquer encadernada num único volume é uma graphic novel, da mesma forma que uma obra como Fun Home.

As livrarias tradicionais (que durante anos não comercializaram quadrinhos) gostaram do termo e adotaram como integrante parte do vocabulário de marketing e vendas. As grandes editoras chegaram mesmo a emprestar termo para dar nome a um formato (formato graphic novel, da Marvel e da DC, sem nenhuma relação com o uso atual do termo).

Qualquer grande livraria americana, ou inglesa, que se preze, tem um setor de graphic novels. Peça por comics e você será enviado ao setor de livros infanto-juvenis, para uma prateleira (ou arara) com revistas lombada canoa, grampeadas, ou alguma edição especial cartonada, isso se a loja em questão possuir algum material dentro desta categoria.

Use o termo graphic novel, e será escoltado para o mundo das edições sofisticadas, em capa dura, e com outras peculiaridades de impressão.

O terceiro grupo não sabe mais como se referir aos quadrinhos. Falta um substantivo adequado. É o grupo dos autores que estão cansados dos quadrinhos de super-heróis e da hegemonia de editoras como Marvel e DC, e também não querem ter seus trabalhos associados ao quadrinhos infanto-juvenil de humor antropomórfico, tipo Disney.

A maioria dos autores, estudiosos e críticos que pertencem a este grupo, prefere até usar o termo quadrinhos à pomposidade de Graphic Novel, que foi adotada e transformada pelo marketing das grandes editoras de livros e quadrinhos.

Mas infelizmente para este grupo, quase toda sua produção é descrita como graphic novel. De Maus a Jimmy Corrigan, de Persópolis a Contrato com Deus, tudo está na mesma prateleira.

Para piorar a dor de cabeça destes autores, muitas vezes estas obras estão lado a lado com encadernados de super-heróis, que nem mesmo são as aventuras mais clássicas como Watchmen, Dark knight, mas o último arco de histórias do Superman ou dos X-Men.

Parece que está surgindo uma onda de "esnobismo" dos chamados quadrinhos adultos (principalmente do que os americanos chamam de autores formalistas, como o Chris Ware) que pode ser vista pela seleção de livros nas prateleiras, como autores como Marjane Satrapi, Seth, Daniel Clowes, Adrian Tomine, Alison Bechdel, Art Spiegelman, Gene Luen Yang (de American Born Chinese), Harvey Pekar, Chris Ware, entre outros; e na seleção de histórias publicadas em antologias como Best American Comics (a edição de 2006 tem seleção de Harvey Pekar e a de 2007 de Chris Ware).

Uma atitude (que não é necessariamente dos autores, mas sim das livrarias e críticos) que parece um pouco com o esnobismo que existe em alguns setores da literatura e da pintura, por exemplo.

O curioso é que Art Spiegelman, um desenhista bastante associado às graphic novels e aos quadrinhos adultos (ele é o autor entre outras coisas, de Maus), aparentemente odeia o termo.

Outro caso famoso é o do Eddie Campbell (Do Inferno, etc.), que atualmente chama os quadrinhos de "that thing of ours" (algo como "aquela coisa nossa"), pois não quer estar ligado a nenhuma das outras nomenclaturas, e abomina uma série de regras e padrões que estão sendo impostos pela mídia. Campbell além de ser um autor importante, é um pesquisador dos quadrinhos é um ótimo teorista, com inúmeros debates e discussões sobre este assunto disponíveis online.

Não acho ruim que estes autores - gosto de muitos deles - estejam sendo aclamado e ganhando um espaço diferenciado, mas também não acho que transformar isso em esnobismo elitista irá ajuda os quadrinhos.

Entendo esta questão da nomenclatura como uma tentativa de mostrar as pessoas que os quadrinhos possuem mais a oferecer do que super-heróis e humor. Não acho que seja a solução do problema.

Na França, por exemplo, um exemplar de Persépolis, de Marjane Satrapi pode ser encontrado ao lado de um Bob Morane, Asterix, XIII, ou qualquer outra serie sem o menor problema. É tudo quadrinhos.

Sem as historias populares de grande interesse do público fica difícil existir um mercado forte no qual é possível publicar (com tiragens dignas) histórias mais profundas ou experimentais. A obra mais reflexiva (insira aqui o seu adjetivo preferido) sempre vai existir paralelamente ao trabalho de maior apelo popular. Em algumas ocasiões, as duas tendências se combinam.

Não interessa o tipo, a cor, o tamanho, o conteúdo, o nome...
O que interessa é que o público leia os quadrinhos. 

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História dos quadrinhos

As Histórias em Quadrinhos (HQ's) nasceram nas imprensas do jornal New York World, em 05 de maio de 1895, onde o artista Richard Fenton Outcalt desenhou dois painéis (charges), um colorido e outro em preto e branco, sob o título "At the Circus in Hogan's Alley".

As tiras, como foram chamadas, chegaram ao status de arte (inspirou a Pop Art dos anos 50 e 60), com trabalhos como o de E. C. Segar (Popeye - 1929), Walt Disney (Mickey Mouse - 1929) E vários outros. Grande parte dos personagens que marcaram as décadas de 10 e 50 surgiram nos jornais diários, em forma de tiras, distribuídos pelo Syndicates.

Em 1929 tem início a era dourada, com Buck Rogers, Tarzan, Dick Tracy (1931), Bety Boop (1931), Pinduca (1932), Brucutu (1933). Para concorrer com Tarzan, Rogers e Tracy surgem Flash Gordon, Jim das Selvas e o agente secreto X-9. Todos criados por Alex Raymond em 1934. O escritor Lee Falk cria Mandrake (1934) e Fantasma (1936). O Pato Donald chega em 1938, pelas mãos de Walt Disney.

O grande salto aconteceu quando títulos exclusivamente voltados para o gênero passaram a ser publicados, como "Action Comics". Foi ali, em junho de 1938, que surgiu um dos personagens mais famosos de todos os tempos: o Super Homem, criado por Joe Shuster e Jerry Siegel. Um ano depois, em 39, a "Detective Comics" (mais tarde DC Comics, uma das maiores editoras de quadrinhos dos EUA), deu o troco: surgia o Batman, criado por Bob Kane. Daí em diante veio uma leva de super-heróis, muitos deles patrióticos, chegando até a lutar contra os alemães na Segunda Guerra Mundial, como Namor, Tocha Humana, Capitão América (criado por Joe Simon e Jack Kirby) e a Sociedade da Justiça da América(da DC). Não podemos esquecer os vilões como o Dr. Silvana, o Caveira Vermelha e o Coringa. Mas o auge do gênero "comic book" (revista em quadrinhos), foi sem dúvida "The Spirit" (O Espírito - 1940), de Will Eisner (Uma obra antológica). Tomadas, fusões, cortes, ângulos insólitos, uso de som e das sombras. Uma linguagem visual revolucionária. Nos anos 50, Mais revoluções acontecem com a criação de dois personagens famosos em todo o mundo, o Recruta Zero (Beetle Bailey - 1950), Peanuts (Mort Walker e Minduim - 1950), e Snoopy. O lançamento da revista "Mad", obra de Harvey Kurtzmann, editada por Willian M. Gaines, que fazia, e continuam fazendo, sátira a tudo e a todos. Outro personagem importante desta década foi Asterix - O Gaulês, de Uderzo & Goscinny; surgindo na França como resposta à invasão dos desenhos norte-americanos. Nos anos 60, As HQ's americanas tem um novo sopro de vida e um dos nomes mais importantes no meio artístico, até os dias de hoje: Stan Lee, criador da Marvel Entertainment Group Inc e de vários super-heróis como o Surfista Prateado, Homem Aranha, Quarteto Fantástico, X-Men, Hulk e muitos outros. Mas, a maioria em parceria com alguém, como John Buscema, Jack Kirby, Chris Claremont e Jim Starlim.

Nos anos 70, as coisas se esfriam com poucas criações. Anepas Hagar (Dik Browne - 1973) e Garfield (Jim Davis - 1978) vem à tona. A Marvel e a DC tornam-se as maiores do gênero junto com a Disney. Nos anos 80, houve recriações de antigos campeões de venda, como por exemplo, Batman, e O Cavaleiro das Trevas (Frank Miller - 1985), considerado um marco na maioridade dos super-heróis. A partir daí surgem as "Graphic Novels" (Romances Gráficos). Violência, insanidade, sensualidade e dúvidas existenciais passam a habitar os quadrinhos que inclusive perdem as divisões lineares (sua ordem cronológica). Alguns títulos e seus autores destas obras-primas: Moonshadow (Matteis-Jon J. Muth - 1985), Sandman (Neil Gaiman - 1985), A Piada Mortal (Alan Moore - Brian Bolland - 1989(magnífico!)) e várias outras .

Nos anos 90, A produção das histórias continua em alta, com a morte e ressurreição do Super-Homem, com Batman paralítico, com as mortes do Professor Xavier (a série Era de Apocalipse) e da Tia May Parker. Mas a melhor surpresa é a invasão de artistas brasileiros nos EUA, como Watson Portela, Bené (Ravage 2099, na revista X-Men 2099, nº 11), Marcelo Campos, Khato, e mais recentemente, Roger Cruz, Mike Deodato e muitos outros. Temos ainda nos anos 90 a criação de uma nova editora americana de quadrinhos: IMAGE Comics. Formada em sua maioria de ex-artistas da Marvel Comics. Dentre todos seus principais personagens, destaco SPAWN, de Todd McFarlane; The Savage DRAGON, de Erik Larsen; . Hoje a IMAGE está, junto da Marvel e da DC, entre as maiores editoras do gênero. Recentemente, alguns desses artistas da Image retornaram à Marvel, como Jim Lee, para desenhar e roteirizar, Heróis Renascem.

Texto retirado da Arquivo HQ Home Page -"http://batman.acmecity.com/batmobile/329"

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Links sugeridos pelo site www.historiaemquadrinhos.hpg.com.br

Dc Comics Site oficial
Image Comics Site oficial
Top Cow Site oficial
Spawn O personagem, catálago de todas as revistas publicadas.
TheMatrix.com Site oficial do universo Matrix. Imperdível.
Omelete Cinema & vídeo, quadrinhos, televisão, música, colunas etc. Excelente site.
Universo HQ Considerado um dos melhores sites de HQs do país. Notícias atualizadas diariamente.
Nona arte Diversas edições gratuitas em PDF para download.
Turma da Mônica Site oficial. Envie cartões com os personagens da turma. Leia quadrinhos online.
Comics.com Informações e histórias de diversos personagens famosos, como Charlie Brown e Snoopy (Peanuts).
King Features Tiras de Homem-aranha, Recruta Zero, o Fantasma, Hagar, Mandrake,
Popeye etc.
Washington Post Tiras de vários outros personagens, como Garfield, Dilbert etc.
Ucomics Mais tirinhas de vários personagens, como Dick Tracy e Calvin.
Comicbooks Artigos, notícias, vários links.
Wildstorm Site oficial dos estúdios de Jim Lee. Wildcats, Gen 13 etc.
Laerte Site oficial do cartunista Laerte. Vale a pena ler as hilárias tirinhas do Overman.
Cybercomics Quadrinhos em que você dita o rumo da história (histórias interativas), vários fanzines, links diversos. Site do portal Terra.
Asterix ... ano 50 a.C. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor... (site oficial)
Radical Chic Site desta personagem de Miguel Paiva.
Russmo Cartoons políticos semanais. Humor refinado.
The Kryptonian Site sobre o Superman.
Gibindex Enciclopédia de Gibis. Teses sobre História em Quadrinhos.
Sandman & Death Sandman, o mestre dos sonhos, e sua irmã Morte.
Batman Dark Knight O famoso cavaleiro das trevas.
The Comic Book Homepage História dos Quadrinhos, citações, curiosidades.
Snoopy Site dos famosos personagens Snoopy e Charlie Brown, de Charles Schulz.  
Psybase psybase.gif (25960 bytes)

Grande site sobre os X-men e quadrinhos em geral.

http://www.historiaemquadrinhos.hpg.com.br/index2.htm 

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Os 300 de Esparta | Obra completa -- Volumes 1 a 5  | Download grátis

 

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Nova edição valoriza HQ Os 300 de Esparta, de Frank Miller e Lynn Varley

Por Pedro Cirne

De um lado, o rei Leônidas e 300 guerreiros que tentam manter a soberania de Esparta. Do outro, dezenas de milhares de persas, comandados pelo rei Xerxes (o brasileiro Rodrigo Santoro), tido como um deus por seu povo. Esta é a sinopse do filme 300, de Zack Snyder, cuja estréia no Brasil está programada para 30 de março. O longa adapta a história em quadrinhos Os 300 de Esparta, que está sendo relançada no país em uma edição especial.

Os 300 de Esparta é obra de um dos maiores nomes dos quadrinhos contemporâneos: o norte-americano Frank Miller, também autor da série "Sin City", "Batman: O Cavaleiro das Trevas" e "Demolidor - A Queda de Murdock".

Miller começou a ficar famoso no início dos anos 80, quando desenhava histórias do Demolidor, super-herói da editora Marvel. Mais de 25 anos depois, continua a trabalhar no gênero (no momento, prepara uma história em que o Batman enfrenta a Al Qaeda), mas conseguiu nome o suficiente para publicar trabalhos autorais.

As histórias mais pessoais de Miller trazem combatentes honrados e destemidos que jamais recuam ou desistem, mesmo que isso signifique morrer.

É o caso dos inflexíveis Marv (de Sin City), Martha Washington (personagem já publicada no Brasil, mas menos conhecida) e dos guerreiros que participaram da Batalha das Termópilas, confronto que realmente aconteceu e que é narrado, de forma romanceada, em Os 300 de Esparta.

A HQ foi lançada em 1998 nos Estados Unidos como uma minissérie em cinco edições. Fez sucesso entre a crítica, sendo premiada em três categorias do Eisner Awards (o Oscar dos quadrinhos dos EUA): melhor série limitada, melhor colorista (Lynn Varley) e melhor roteirista-artista (Frank Miller).

Volume único

Os 300 de Esparta não é inédita no Brasil: saiu pela primeira vez em 1999, repetindo o formato original (minissérie em cinco partes). A reedição deste ano traz duas novidades.

A história agora é publicada em um volume único e, mais importante, em tamanho e formato diferentes: maior, 33 por 24 centímetros, e horizontal.

As mudanças foram para melhor. O novo formato dá à edição um clima mais cinematográfico, com melhor aproveitamento dos planos de batalha e cenários. Talvez quem veja o filme não se interesse pela HQ, mas quem ler a HQ sentirá vontade de compará-la ao filme.

Os 300 de Esparta
Autores: Frank Miller e Lynn Varley
Editora: Devir
Quanto: R$ 58 (88 págs.)

© http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u67750.shtml

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